Após a liquidação extrajudicial do Will Bank pelo Banco Central, mensagens alarmistas passaram a circular nas redes sociais levantando dúvidas sobre a solidez de outros bancos digitais. O Nubank, maior fintech do país em número de clientes, acabou entrando no centro desses boatos — mas, segundo especialistas, não há elementos que sustentem esse temor.
Para os analistas, a comparação entre as duas instituições não se sustenta do ponto de vista financeiro, regulatório ou operacional. “São realidades completamente distintas. O que aconteceu com o Will Bank não pode ser usado como régua para avaliar o Nubank”, afirmou o advogado Rafael Mortari, especialista em direito bancário, à Istoé DInheiro.
Em posicionamento em sua comunidade, o Nubank negou qualquer dificuldade financeira e classificou como falsas as informações que apontam risco de falência ou encerramento das atividades.
Por que o Will Bank foi liquidado?

Inicialmente, o Will ainda conseguiu operar sob um regime especial, supervisionado pelo BC, enquanto se buscava uma solução para o negócio. A situação se agravou quando a fintech deixou de honrar compromissos com a bandeira Mastercard, perdendo a capacidade de processar pagamentos com cartão.
“Sem atividade operacional e sem interessados na compra dos ativos, o Banco Central seguiu o procedimento legal para preservar o patrimônio disponível”, explicou Mortari.
O que vai acontecer com o Nubank?
O Nubank, por sua vez, não está vinculado a nenhum grupo em crise e concentra toda a sua operação em uma estrutura própria. Além disso, trata-se de uma companhia listada na Bolsa de Nova York, o que impõe regras rígidas de transparência, auditoria e divulgação de resultados financeiros.
Nos balanços mais recentes, a instituição reportou crescimento consistente de receita, lucro líquido e níveis de capital acima do mínimo exigido pela regulação brasileira.
“O Nubank mantém reservas suficientes para enfrentar cenários adversos. Existe um colchão de liquidez que não se observa em instituições que acabam sendo liquidadas”, afirmou Mortari.
O analista financeiro André Franco, CEO da Boost Research, também à Istoé Dinheiro, reforçou que tamanho e fiscalização fazem diferença. “Estamos falando de uma instituição que já opera em escala global, com controle regulatório no Brasil e no exterior. Não há sinais de fragilidade semelhantes aos vistos no caso do Will”.
Nubank é banco?
Outro ponto destacado pelos especialistas é que o Nubank já anunciou a intenção de solicitar ao Banco Central uma licença bancária plena, o que aumenta ainda mais as exigências de capital, governança e controles internos.
“Processos de liquidação costumam ser precedidos por falhas graves e recorrentes, como interrupções de serviços e incapacidade de honrar compromissos básicos. Nada disso está presente na operação do Nubank”, avalia o advogado Luis Castelo, especialista em direito empresarial, na mesma reportagem.
Apesar de afastar qualquer risco sistêmico, especialistas lembram que o mercado financeiro abriga instituições com perfis muito diferentes. Fintechs menores, pouco capitalizadas ou altamente dependentes de crédito de risco tendem a ser mais sensíveis a choques.
Qual é o Índice de Basileia do Nubank?
O índice de Basileia do Nubank no Brasil situa-se historicamente acima de 15% (cerca de 15,8% a 20% em períodos recentes), demonstrando forte solidez financeira e capitalização.
Esse indicador, que mede o capital próprio em relação aos ativos de risco, coloca o banco em patamar similar aos grandes bancos tradicionais do país e acima do mínimo exigido pelo Banco Central.
