Célio (Otávio Müller), personagem que morre nesta quinta (29) em Três Graças, sempre foi um sobrevivente à base da esperteza. Marido de Chica (Rejane Faria) e pai de Alaíde (Juliana Alves), ele chega a São Paulo dizendo que vai “recomeçar a vida”, mas acaba mesmo é se acomodando na casa do genro, Rivaldo (Augusto Madeira).
Folgado, curioso e metido a malandro, o sogro observa tudo ao redor com olhos atentos, sempre em busca de uma brecha para tirar vantagem. É assim que ele se aproxima da mansão de Arminda (Grazi Massafera), percebendo que ali existe muito mais do que luxo: há segredos perigosos.
Célio morre em Três Graças?
Aos poucos, Célio passa a espionar a vilã a mando de Ferette (Murilo Benício) e acaba descobrindo encontros comprometores entre os dois. Munido de vídeos e informações explosivas, ele vira o jogo e passa a chantagear Arminda. À família, mente dizendo que a madame lhe deve dinheiro, mas, na verdade, deixa claro o que quer: “Ou você me dá o que eu mereço, ou todo mundo vai saber quem você realmente é”, dispara o malandro, exigindo uma noite de amor em troca do silêncio.
Depois de uma sequência de humilhações — incluindo ser capturado por Bagdá, expulso da comunidade só de cuecas e voltar para casa vestido de mulher em um carro de aplicativo —, Célio não recua. Na manhã seguinte, ele aborda Arminda na rua e reforça a chantagem. A vilã entende o recado imediatamente e, fria, arma sua resposta. Ela marca um encontro na madrugada, na mansão, com a casa às escuras e todos dormindo. “Vá lá depois que as luzes se apagarem. Você vai ter o que merece”, diz Arminda, fingindo submissão.
Convencido de que venceu, Célio atende ao chamado. No silêncio da madrugada, ele sobe a escadaria da mansão sem desconfiar de nada. No topo, Arminda revela sua verdadeira intenção. Em um movimento rápido e cruel, ela crava o salto agulha no peito do chantagista. Em choque, ele mal tem tempo de reagir antes de ser empurrado com força escada abaixo. O corpo rola pelos degraus e vai parar no chão da sala, já sem vida, em uma cena que remete a assassinatos icônicos das grandes vilãs da teledramaturgia.
O crime é presenciado por Helga (Kelzy Ecard), a cuidadora da casa, que observa tudo das sombras. Ao ver Arminda paralisada diante do cadáver, ela se aproxima com naturalidade assustadora e solta a frase que sela sua cumplicidade: “A senhora deseja limpar o chão agora ou prefere esperar o sangue coagular?”.
A fala deixa Arminda em choque, mas logo ela percebe que encontrou uma aliada inesperada. Helga se oferece para resolver tudo e ainda revela sua experiência macabra: “Já precisei me livrar de três maridos. Isso não é novidade pra mim”. Sem perder tempo, a cuidadora cobre o corpo, retira as cortinas manchadas e segue até a cozinha em busca de uma faca bem afiada, deixando claro que pretende esquartejar o cadáver.
Na manhã seguinte, Gerluce (Sophie Charlotte) vê Helga deixando a mansão discretamente com três malas de rodinhas. Dentro delas, o destino final de Célio. Assim termina a trajetória do malandro: assassinado de forma cruel por Arminda e apagado do mapa com a ajuda de Helga, vítima da própria ganância e da ilusão de que poderia chantagear uma vilã sem pagar o preço.
