A chegada de Domênica Montero ao SBT não representa exatamente uma novidade total para o público acostumado às novelas da emissora. Embora seja vendida como a nova aposta mexicana do canal para o horário nobre, a produção da TelevisaUnivision retoma uma história que os brasileiros já viram em outras versões exibidas ao longo dos anos.

A novela estrelada por Angelique Boyer faz parte de uma linhagem de adaptações inspiradas na radionovela La Doña, criada por Inés Rodena. Esse enredo já originou diferentes releituras na televisão latino-americana e também teve espaço importante na programação do próprio SBT, que agora volta a investir na mesma base dramática, mas em uma embalagem mais enxuta e atual.

Em sua versão de 2025, Domênica Montero recupera elementos centrais que marcaram outras encarnações da história. A protagonista é uma mulher rica, prestes a se casar, que tem a vida destruída ao ser abandonada no altar por um noivo interesseiro. A traição provoca uma virada radical em sua personalidade, levando-a a trocar a vida na cidade pelo isolamento no campo, onde passa a enfrentar novos inimigos, disputas de poder e um romance cercado de tensão.

Domênica Montero é remake de qual novela?

A Dona

Essa estrutura é justamente o que aproxima a trama de títulos já conhecidos do público brasileiro, especialmente A Dona e Amor e Ódio.

Exibida originalmente no México em 2010 e lançada no Brasil pelo SBT em 2015, A Dona (Soy Tu Dueña) se tornou uma das adaptações mais populares dessa história. Na novela, Valentina, vivida por Lucero, também é deixada no altar após um golpe armado por pessoas próximas.

Ferida, ela se muda para a fazenda e assume uma postura dura, tornando-se temida enquanto se envolve em conflitos com o vizinho José Miguel. A produção conquistou boa repercussão entre os fãs de folhetins mexicanos e ganhou reprises, consolidando-se como uma das novelas latinas mais lembradas da emissora.

Domênica Montero teve versão nacional produzida pelo SBT?

Novela Amor e Ódio

Já Amor e Ódio, produzida pelo próprio SBT em 2001, foi a versão brasileira dessa mesma matriz narrativa. Na trama, Regina, interpretada por Suzy Rêgo, passa por uma trajetória semelhante: traída, humilhada e transformada pela dor, ela vai para o interior e assume o comando da fazenda herdada da família. A novela apostou em um tom melodramático forte e adaptou o enredo ao contexto nacional, mostrando que a essência da história também funcionava fora do universo das produções mexicanas.

A principal diferença de Domênica Montero em relação a essas versões está no formato. Com apenas 50 capítulos, a novela aposta em uma condução mais rápida, com menos enrolação e conflitos resolvidos em ritmo mais direto. Ainda assim, preserva os pilares que fizeram essa narrativa atravessar décadas: a protagonista traída, a transformação emocional, o embate com vilões e a construção de um novo amor em meio ao sofrimento.

Ao escolher Domênica Montero, o SBT aposta menos em uma história inédita e mais em uma fórmula já testada diante de seu público. A emissora resgata um enredo que já deu origem a sucessos como A Dona e Amor e Ódio, agora com visual moderno, protagonista popular e proposta mais ágil para tentar reconquistar a audiência do horário nobre.

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