Antes mesmo do anúncio do resultado do quarto Paredão, uma sensação incômoda já ronda a casa mais vigiada do Brasil – e também boa parte do público. Não se trata apenas de quem será eliminado nesta terça-feira (10), mas do impacto real que essa saída pode causar no rumo da temporada.
Fim da linha?
É por isso que se pode dizer, sem exagero: o BBB 26 pode, sim, acabar hoje. Não no sentido literal, claro, mas no que realmente importa para um reality show – a sensação de jogo vivo, imprevisível e pulsante. E o responsável por esse possível “fim” atende pelo nome de Sarah Andrade.
Se a eliminação da sister se confirmar, a mensagem que será enviada para dentro da casa é poderosa – e perigosa. Os aliados de Sarah provavelmente vão perceber, finalmente, que o favoritismo não está do lado deles. E também que o eixo de força está no grupo orbitado por Ana Paula Renault e que hoje reúne nomes como Milena, Babu, Juliano e Solange Couto.
Esse tipo de revelação costuma ter dois efeitos possíveis em realities. O primeiro é o mais desejado: reação. Gente acuada, que passa a jogar pesado, comprar briga, se expor e transformar a casa num campo de batalha.
O segundo é o mais comum – e mais mortal para o programa: acomodação. Participantes que entendem que já perderam e passam a apenas “cumprir tabela”, esperando pacientemente a própria eliminação.
Jogadores saem e plantas ficam
Se nomes como Jonas Sulzbach, Alberto Cowboy e até Sol Vega entrarem nesse segundo modo, o BBB 26 perde seu motor. A casa esfria, os conflitos murcham e o jogo vira um desfile previsível até a final.
É curioso lembrar que, em outras edições, quando participantes perceberam cedo demais que estavam no lado “errado” da torcida, muitos simplesmente desistiram de lutar. Alguns se tornaram figurantes. Outros passaram a adotar um comportamento quase burocrático: acordar, comer, dormir e aguardar o paredão. Para um reality, isso é sentença de morte. As plantas vão reinar.
O cenário ideal para manter o BBB 26 vivo seria outro: a eliminação de Sol Vega. Não por rejeição pessoal, mas por lógica de jogo. Sol, hoje, não sustenta grandes enredos, não puxa conflitos centrais e não ocupa posição estratégica decisiva. Sua saída mexeria pouco nas engrenagens da casa.
Já a permanência simultânea de Sarah e Babu manteria dois polos fortes em rota de colisão. Eles estão em lados opostos, participam das principais discussões, são citados em quase todas as articulações e, goste-se ou não deles, entregam narrativa. Reality sem narrativa é só convivência filmada.
Ladeira abaixo
Eliminar Sarah agora, além de enfraquecer um dos poucos contrapontos diretos a Ana Paula Renault, pode acabar entregando o mapa do jogo cedo demais. Os participantes entenderiam, de uma vez, que o público já escolheu um lado – mesmo que ainda não compreendam que Ana Paula é, para o bem ou para o mal, a grande protagonista da temporada.
E aí nasce o maior risco: o BBB 26 virar exatamente aquilo que a própria Ana Paula mais critica dentro da casa: uma colônia de férias. Um ambiente confortável, sem grandes embates, com pessoas andando em círculos e evitando conflito para não se desgastar.
Curiosamente, o programa vive seu melhor momento de audiência justamente quando há choque de forças, reviravoltas e disputas claras. O público respondeu, os números subiram, o burburinho aumentou. Isso não acontece por acaso.
Reality show vive de tensão, não de consenso. Por isso, se o BBB 26 realmente quiser continuar sendo um jogo – e não apenas um espaço de convivência televisionada -, a eliminação desta terça deveria mirar em quem menos altera o tabuleiro. Tirar Sarah agora pode até satisfazer parte da torcida, mas corre o sério risco de esvaziar o que resta de imprevisibilidade.
Em outras palavras: o BBB 26 não acaba porque alguém sai. Ele acaba quando ninguém mais quer brigar para ficar. E a saída de Sarah pode ser exatamente o empurrão que faltava para muitos desistirem de jogar.
