Fazendo uma participação especial em Três Graças, Crodoaldo Valério, eternizado pelo apelido Crô, é um dos personagens mais populares criados por Aguinaldo Silva.

Interpretado por Marcelo Serrado, o mordomo nasceu no Ceará, na cidade de Uruburetama, e conquistou o público logo em sua estreia em Fina Estampa, em 2011.

Com seu jeito afetado, frases de efeito e devoção quase religiosa à patroa, Crô se tornou um fenômeno cultural e roubou a cena ao longo da trama.

Qual foi o final de Crô em Fina Estampa?

Em Fina Estampa, Crô era o fiel escudeiro de Tereza Cristina (Christiane Torloni), a quem chamava de “rainha do Nilo”. Humilhado, destratado e submisso durante toda a novela, ele parecia condenado a viver à sombra da vilã. No entanto, o desfecho do personagem reserva uma das maiores reviravoltas da trama.

Nos capítulos finais, Crô é pressionado pelo delegado Paredes (Samir Murad) a revelar se sabia dos crimes cometidos pela patroa. Em pânico, ele nega envolvimento, finge surpresa ao ouvir a lista de atrocidades e chega a se trancar no closet da mansão, em uma cena que virou antológica. “Já vi muita bicha sair do armário, agora entrar e se trancar lá dentro foi a primeira vez”, ironiza Marilda (Kátia Moraes). Ironicamente, é Baltazar (Alexandre Nero) quem “tira” Crô do armário e o convence a colaborar com a polícia.

Dividido entre a lealdade cega e o senso de justiça, Crô acaba entregando os planos de fuga de Tereza Cristina. A vilã desaparece após enfrentar uma tempestade em alto-mar com Pereirinha (José Mayer), e seu destino fica em aberto. O corpo nunca é encontrado, o que mantém o mistério até o último capítulo.

É com o desaparecimento da megera que Crô dá a grande virada em sua vida. Na leitura do testamento, ele descobre que herdou a mansão no Marapendi Dreams e metade da fortuna de Tereza Cristina. A cena consagra o personagem, que passa de empregado humilhado a milionário. Baltazar e Marilda, antes seus colegas, acabam trabalhando para ele. Sempre carismático, Crô ainda anuncia a criação de uma ONG, o Centro de Amparo ao Homossexual Pintoso, explicando com orgulho: “Os homossexuais pintosos precisam de ajuda porque são os mais discriminados”.

O final de Fina Estampa ainda deixa um último mistério: Crô recebe a visita de um amante secreto, cuja identidade nunca é revelada. Em tom bem-humorado, o personagem compara o segredo à famosa caixa de Perpétua, de Tieta: “Todo mundo queria saber o que tinha dentro… Babau! Ninguém descobriu”.

Filmes

O sucesso foi tão grande que Crô ultrapassou os limites da novela. Em 2013, Marcelo Serrado estrelou Crô: O Filme, no qual o personagem, já milionário, se vê entediado com a própria riqueza. “Cansado de ser milionário e não ter o que fazer, Crô escolherá uma nova musa a quem se dedicar”, adiantou Aguinaldo Silva na época.

Em 2018, veio Crô em Família, segundo longa do personagem, que aprofunda seu universo e aposta novamente no humor popular. “É um personagem carismático, as pessoas se identificam. O Crô é um ingênuo, faz mal a ninguém”, definiu a produtora Walkiria Barbosa.

Crô em Três Graças

Marcelo Serrado e Arlete Salles em Três Graças
Marcelo Serrado e Arlete Salles em Três Graças

Agora, em Três Graças, Crô retorna ao horário nobre em uma participação especial que promete movimentar a trama. Ainda milionário, ele surge envolvido em uma disputa pela escultura As Três Graças, obra cobiçada por diferentes núcleos da novela. Sua chegada o coloca frente a frente com Kasper (Miguel Falabella) e João Rubens (Samuel de Assis), em encontros cheios de ironia, alfinetadas e humor afiado.

Nas cenas, Crô deixa Ferette (Murilo Benício) completamente em choque ao surgir no quarto do hospital onde o vilão está internado.

O personagem também aparece na casa de Josefa (Arlete Salles), reforçando sua ligação com figuras centrais da trama e mostrando que, mesmo fora de seu universo original, continua sendo um catalisador de conflitos e situações inusitadas.

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